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terça-feira, 7 de abril de 2009

Oh, Annie

Os Xenomania não souberam muito bem o que fazer com ela. Abafar aquela voz fininha, trémula e frágil com o som comprimido de guitarras não foi a decisão mais acertada. Os temas Xenomania do último álbum de Annie (esteve para sair em meados do ano passado; espera-se que saia em meados deste) soam nitidamente descaracterizados.

Os Röyksopp parecem ter percebido que jamais conseguirão recriar a (quase) perfeição de "Heartbeat". É até hoje a única parceria com Annie - nem sequer a alistaram com as outras escandinavas que dão a voz no último álbum dos Röyksopp.

É com Richard X/Hannah Robinson que Annie tem mantido uma relação musical mais duradoura e fértil. "Chewing Gum", "Me Plus One" e especialmente "Songs Remind Me Of You" são os melhores exemplos - este último foi o mais próximo que Annie esteve da magia de "Heartbeat" (ainda que se mantivesse a alguns anos-luz).

"Anthonio", a mais recente colaboração de Annie com Richard X/Hannah Robinson, não chega tão perto, mas volta a cimentar o habitat natural dela: aquela voz tão delicadamente trágica está mais bem protegida pela invencibilidade da maquinaria electrónica. "Anthonio" recorre à improvável mas eficaz combinação de uma extravasão emocional com desvarios electro (há quem lhe chame "emotronica"; os Ultravox uma vez apropriadamente falaram em "dancing with tears in my eyes", os Alcazar cantaram "crying at the discotheque", etc.).


Conta-se a história de um romance de Verão ("It's been nearly one year since our Rio nights of forever") que terminou de uma forma pouco feliz ("I was just another girl, it was just another night"). No último refrão há uma mudança de registo: o timbre da voz eleva-se (por momentos receia-se que aquela voz comece a desintegrar-se) e surge o twist final. O romance acabou, mas com consequências -- "my baby has your eyes".

Ela nunca na vida conseguirá superar a "Heartbeat", mas é sem dúvida um deleite ouvi-la a tentar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dos últimos dias

Annie - "Anthonio"
Pet Shop Boys - Yes + Yes etc.
Kleerup & Titiyo- "Longing For Lullabies"
Kelly Clarkson - "I Want You"
Ladyhawke - Ladyhawke
Propaganda - A Secret Wish
Vagabond - "I've Been Wanting You"
Aaliyah - "More Than A Woman", "I Refuse"
Dizzee Rascal - "Minimus"
Girls Aloud - "Untouchable"
Kyla - "Do You Mind (Crazy Cousinz remix)"
Ruff Sqwad - "I Wanna Let U Know"
Ladyhawke - Ladyhawke
Garbage - "I Think I'm Paranoid", "#1 Crush"
T-Rex - "Hot Love"
Matt Gray - The Best Of

-- O novo vídeo da "Longing For Lullabies" do Kleerup é uma raridade e um elogio tremendo ao conceito de vídeo musical, numa altura em que os vídeos musicais são digeridos no YouTube e em telemóveis.

-- O novo vídeo das Girls Aloud é visualmente apelativo, mas é um enorme desperdício de tempo de antena, de conceito e de canção - tanto tempo perdido a fazer beicinho, a rodar as mãos e a fazer olhares sensuais e sonhadores? E a nova versão da "Untouchable" é criminosa. O auto-tune era absolutamente desnecessário.

-- A criatura estranha que está a fazer de DJ no vídeo da "More Than A Woman" da Aaliyah é o Mark Ronson. Wtf?
E continua a não haver ninguém que emane a classe + sensualidade + mística que a Aaliyah emanava. E está a fazer falta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Woofah #3

Na coluna que assina no Guardian, Simon Reynolds dá conta de uma nova geração de entusiastas de fanzines que estão a reagir à cultura digital.

Os blogs/webzines podem ser mais rápidos, mais acessíveis, mais económicos e até mais ecológicos, mas nada parece bater a sensação táctil do papel - tal como o poder imperioso do vinil em relação à imaterialidade do mp3. Na era das webzines, blogs e mp3s, são os artefactos culturais físicos (mais personalizados e de distribuição limitada, como as fanzines) que se revelam mais atractivos.

Mas Simon Reynolds assinala que nem todas as cabeças ao comando das novas fanzines se demonstram tão zelosas à superioridade do analógico sobre o digital. John Eden, o (até agora) editor da britânica Woofah, reconhece que, afinal de contas, a música coberta pela revista (grime, dubstep, reggae/dub) vive dependente da tecnologia computadorizada.

A Woofah já chegou à terceira edição, com 60 páginas A5, capa a cores, sem conter publicidade nem press releases regurgitados e sobrevivendo apenas no suporte papel (o web site fornece apenas indicações, a revista não está disponível para download).

No número mais recente, a revista alarga as habituais fronteiras geográficas, com entrevistas à equipa americana The Bomb Squad (na capa) e aos projectos Twilight Circus e 2562 (estabelecidos na Holanda), além de um olhar ao asilo Bellevue, em Kingston.

Na entrevista, os Bomb Squad queixam-se do ridículo e da redundância da designação "dubstep", preferindo chamar "dub-bass" à música que agora fazem («the bass has its own melody and its own song, so you can almost hear vocals within the bass»). Consideram que o hip-hop está estagnado e que o dubstep respira agora o vibe underground que pertencia ao rap/hip-hop. Twilight Circus receia que o dubstep esteja a solidificar-se num "estilo" que o possa tornar menos aberto. Por contraste, descreve o dub como algo infinito e ilimitado, como uma espécie de "cubismo musical abstracto".

Numa entrevista enquanto membro do colectivo Dusk & Blackdown, Martin Clark mostra-se entediado com o panorama monocromático do dubstep («"dark" and "hard" as some kind of pointless end unto itself»). Daí a necessidade de beber de diferentes culturas, nomeadamente mantendo o diálogo com o grime - através da colaboração com MCs, que são «uma parte essencial da voz das margens de Londres». Martin Clark recorda o impacto do tempo que passava no estúdio em que o Boy in Da Corner estava a ser gravado (um disco que é, certamente, um dos melhores e mais importantes desta década), onde viu "Fix Up, Look Sharp" quando era apenas um "4 bar loop" num ecrã.

Mais à frente, na Woofah, Flow Dan (que, através das suas crews e colaborações, estabelece a ponte entre o garage, grime e dubstep) reflecte sobre a voracidade de Wiley («it's too big for himself sometimes») e sobre In At The Deep End dos Roll Deep (2005), que para muitos foi um álbum demasiado pop e insuficientemente grime. A crew parecia saber exactamente o que queria, mas a editora tinha ideias diferentes - «because the whole process was new to us we listened to them more than we should have...». E o Wiley não achou piada nenhuma a que considerassem que os Roll Deep tivessem ficado mais "soft" («he took it personally»).

Em destaque na revista estão os discos An England Story (compilação) e London Zoo de The Bug - o primeiro conta a história de como se chegou até ao presente e o segundo lança pistas para o futuro.

A Woofah custa £4.80 e pode ser comprada no seu site.



Dos últimos dias

Pet Shop Boys - "The way it used to be"
Pet Shop Boys - "Did you see me coming?", "More than a dream"
Röyksopp - Junior
Taylor Swift - "The Best Day"
Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz!
Girls Aloud - "Untouchable", "Memory Of You"
The Carpenters - "The End of The World"
Jazmine Sullivan - Fearless
Paramore - "Crushcrushcrush"
The Kills - "Last Day of Magic"
The Real Heat - "Come We Go"
New Order - Tecnhique
V/A - An England Story



The Dum Dum Ditty

Com a benção das Shangri-Las, o melhor girl group do século passado.